Queria evitar assuntos tediosos aqui, mas alguns são inevitáveis, digo isso olhando para a primeira página do maior jornal de Brasília. "Alfabetização precisa de 396 mil professores", esta matéria, junto com outra sobre cotas, estampada com a foto de um tumulto ontem na câmara, onde defensores das cotas entraram em atrito com opositores às mesmas. A grosso modo, a situação é a seguinte: O governo quer destinar 50% das vagas nas universidades públicas e particulares a alunos oriundos de colégios públicos, parte dessas vagas também seria destinado a negros e índios. Os defensores dizem que isso diminuiria a desigualdade e o preconceito, os opositores dizem exatamente o contrário, que a reserva de cotas geraria uma espécie de Aparthaid, estimulando o racismo. Aí entra o meu problema, concordo com os dois argumentos, e sinceramente detesto ficar em cima do muro, é uma posição desconfortável, coisa de gente sem senso crítico, dizem alguns. Me arrisco a ser taxada, mas não dá pra ficar só de um lado, me admira as pessoas que conseguem ter opiniões radicais contra ou a favor a algo. Na Câmara ontem havia muitos radicais, brancos, negros, (não vi nenhum índio), agredindo e sendo agredidos por seguranças, na tentativa de invadir a qualquer custo o plenário.
Vejo essa situação como uma questão de justiça e justiça definitivamente é um termo complexo.
Para melhorar a educação no Brasil, seria necessário pelo menos 10 anos de investimento pesado num programa sério e organizado (porque de bagunçado já basta o fome zero), mas isso não vai acontecer, detesto ser pessimista , mas não vai. Não adianta por a culpa num ou noutro, TODOS os governos anteriores, tal como o atual, foram negligentes com a educação e os candidatos futuros, pelo menos os que já conheço, não me dão muita esperança.
Há quem diga que a culpa não é do governo, que "quem quer, vence", que "todos temos oportunidades iguais" e que "pra vencer, basta ralar, correr atrás". Quem nunca ouviu algo assim? Quer dizer que enquanto os pais saem pra trabalhar, pra ganhar o suado pão de cada dia, seus filhos, crianças de 6,8,10,12 anos, têm que sair, "ir à luta", ter a determinação de um bulldogue Workaholik para ter as mesmas oportunidades dos filhos daqueles que simplesmente pagam por um colégio particular? Não nos basta pagar impostos absurdos, nossos filhos ainda têm de ser autodidatas? O que fazem então os filhos dos pobres? Esperam que o crescimento lento desse país resolva a situação? Vale lembrar que o tempo estimado para que o Brasil, nesse ritmo de crescimento, atinja o nível dos EUA é de 400 (quatrocentos mesmo) anos. O que fazem então os filhos dos pobres? Simples, chegam semi-analfabetos (há excessões) ao final do ensino médio e entram para a faculdade pelo sistema de cotas.
E quanto aos que podem pagar? E quanto às crianças que estudam em colégios particulares, é justo que lhes seja tirado 50% das chances de entrar numa universidade? Ressalto que a maioria desses alunos são filhos de pessoas de classe média baixa, ou seja, de pessoas que ralam pra caramba pra darem uma educação descente pros filhos e que também pagam impostos absurdos. Não é justo, não é? Mas como já disse anteriormente justiça é um termo complexo, num país como o nosso, de desigualdades sociais tão gritantes a palavra justiça soa como piada. De mau gosto.
Uma deputada, sendora, não me lembro bem, mas lembro perfeitamente do rosto e das feições fanáticas com as quais se colocava contra as cotas, disse que a solução está em investir na educação primária, no ensino fundamental e médio, eu concordo com ela. Mas ela está fazendo algo por isso? você está? eu não estou, eu só reclamo. Nosso presidente também não, ele também só reclamava, não reclama mais porque o governo é dele, mas quando não for mais provavelmente voltará a reclamar. Também o que se pode esperar de um presidente que se gaba de ter chegado ao cargo sem um curso universitário? (Antes que alguém me critique, eu sei, ele teve uma infância pobre, uma juventude pobre, mas admitamos, o quadro mudou ha muito tempo, ele poderia ter estudado, se quisesse. O Vicentinho se formou em direito, toda a imprensa noticiou.)
Mas como diria George Orwell "Ignorância é sabedoria, sabedoria é ignorância".

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